A prática da observação no processo de ilustração

SALA

Ilustrações com os mais variados estilos e técnicas podem ser encontradas nos mais diversos tipos de publicações, atualmente. Imagens complexas, ricas em detalhes, ou as que são sucintas, econômicas e objetivas, ou ainda composta por traços simples e espontâneos, que evocam o desenho infantil, cada uma demanda habilidades específicas para sua execução. No entanto, uma habilidades valiosa para qualquer ilustrador, e que sempre deve ser exercitada, é a capacidade de observar.

A observação deve ser praticada e exercitada constantemente. Sobretudo no ato de desenhar, ela é de grande importância, desde que sejam escolhidas as referências corretas. Naturalmente os ilustradores pesquisam, conhecem e admiram os trabalhos de outros artistas, mas eles não devem ser a referência utilizada durante o ato de desenhar, por conta do risco da apropriação de soluções e sínteses prontas, que prejudicarão o resultado do trabalho. O ato de desenhar é pessoal, portanto é desejável que a referência para um tema ou objeto seja o que é real, ou seja, a observação direta do objeto em questão ou de fotos. Isso não exige que o ilustrador busque o desenho realista ou uma representação fiel do objeto. A importância dessa atividade é que o ilustrador desenvolva seu próprio processo de interpretação e síntese sobre o tema. Dessa forma ele vai desenhar com mais naturalidade, autenticidade, e será capaz de manter a coerência e unidade em seu desenho.

Além de contribuir para elaboração de soluções consistentes no desenho, a prática da observação também alimenta a criatividade do ilustrador. A observação é fundamental para a formação do repertório do artista, e sua extensão tornará os processos de associações mais ricos. A criação não é espontânea, ela é resultado desse processo. Mesmo ao desenhar o que houver de mais corriqueiro, é válida a observação, pois a memória pode conduzir ao clichê.

O trabalho da Beatrix Potter é um exemplo do resultado advindo de sua minuciosa observação. Desde criança observava a natureza e coletava plantas e insetos que levava para casa para reproduzi-los em desenho e pintura. Ela também tinha impulso pela escrita, e transcrevia em seus cadernos situações e diálogos que presenciava. Seu personagem e protagonista mais conhecido, Peter Rabbit, é inspirado em seu coelho de estimação, que, em suas histórias, vive situações fiéis às vidas das pessoas. Outro ilustrador que merece ser citado é Sempé, cartunista francês contemporâneo que se tornou popular com as ilustrações dos livros da série O Pequeno Nicolau, escritos por René Goscinny. Antes de iniciar sua carreira com o desenho, Sempé trabalhou com diversas atividades, sendo uma delas como monitor de colônia de férias, ocasião que provavelmente lhe ofereceu referências para representar as situações vividas pelos personagens. Beatrix Potter e Sempé são apenas dois exemplos de artistas que encontram no cotidiano e na observação do real sua inspiração.

Portanto, não há dúvidas de que a prática da observação do real é de grande importância para o ilustrador, pois ela oferece material para a construção do repertório do artista, alimenta a criatividade e é o ponto de partida para a busca do estilo pessoal no desenho. Exercícios de observação são sempre úteis, seja desenhar pequenos objetos do dia-a-dia a partir da observação até cenas, paisagens e situações in loquo. Independente da habilidade de cada ilustrador, o importante é sempre praticar.

Com ela oferece material para o ilustrador praticar seu processo pessoal de interpretação e síntese, além de formar o repertório que contribuirá para a criação. Exercícios de observação são sempre úteis, seja desenhar pequenos objetos cotidianos a partir da observação até cenas, paisagens e situações in loquo. Independente da habilidade de cada ilustrador, o importante é sempre praticar.

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